quarta-feira, 7 de julho de 2010

Um lugar.

Aqui,
no lugar onde está tudo errado,
eu poesia
você agonia
Aqui,
no lugar onde tudo está revirado,
eu invento nostalgias
você detesta melancolias.
Aqui,
no lugar onde está tudo bagunçado,
eu pretérito perfeito
você ideal desfeito
Aqui,
no lugar onde tudo está avacalhado
eu desânimo comportado
você cabaret anarquizado

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ange.


Um dia escutando o chacoalhar das árvores,
e olhando pra o que parece não ter fim,
me veio a razão,
a vida tem sim um motivo pra acontecer,
pra acontecer sim,
porque a vida é só um acontecimento
diante de vários que vamos ter nessa imensidão de universo.

Os anjos, de onde vem?


(J.B.)




Magamalabares
Acqua Marã
Um barquinho oxaiê
Quem esteve aqui
Viu barquinho de gazeta
Ancorar no mistério
Notas musicais
Dentre bolas de sabão
que de nossas serenatas vieram
Flores que ofertamos e que nunca morrerão
em vasos e jarros se bronzeiam
Os anjos de onde vem?
sua vida bem-vinda na trilha
Os livros não são sinceros
Quem tem Deus como império
No mundo não está sozinho
Ouvindo sininhos

(Marisa Monte - Magamalabares)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Carta ao inofensivo.

Eu entendo.
E digo que se eu fosse dona desta capa,
agiria da mesma forma.
Talvez mais fria, menos emotiva,
Não, não tenho raiva, e deveria ter?
culpa?nem minha, nem tua, nem de terceiros,
a vida que tem mania de seguir em frente...
dói perder o que a gente julga nosso,
e digo que na verdade não existe "nosso"
quando o assunto são pessoas,
eu por exemplo, me julgo minha,
mas quem pode me dar certeza de que eu nunca
vou me perder de mim mesma?
nem teu, nem meu, nem de ninguém, dele mesmo.
se não o fosse, não teria me encantando tanto.
Logo eu, louca, desvairada, perdida na vida...
O fato é que dessa vez não seria diferente.
Morte súbita. morte? certamente súbita! Pensei.
Golpe de Estado, ele disse.
Não me sinto melhor ou pior por escrever isto,
escrevo apenas pra tirar de mim o que não pode ser dito.
Também, pra mim tanto faz o que pensas,
só me coloquei em teu lugar por alguns segundos.
Tanto faz...
(J.B.)





"Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. "Eu te odeio", disse muito apressada. Mas não sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra até encontrar a água negra, como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma?
(C. Lispector)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Rima pobre.

agora que tantos planos fizemos,
que tantos sonhos seremos,
agora que dividimos teto,louça,roupa
digo que me fazes de louca,
por amar-te tanto,
por ser brasa,calmaria e vento,
tudo ao mesmo tempo,
ao nosso tempo.
(J.B.)

Rima chula, só pra desabafar um pouco...
saudades do meu amor que viajou...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

(Só mais um parêntese)

Depois de muito tempo resolvi postar, blog entregue as moscas,ou não...
De fato,meus amigos lêem o que eu escrevo,e é por causa deles,estes que
moram longe e que ainda assim moram aqui dentro que continuo postando.
Thamara,te amo muito.


Sonhar fácil.
Dificil realizar.
Exacerbadamente racional,
exacerbadamente passional,
Dividida entre passeios lúdicos e reais.
deveria eu desistir e nunca mais?
jamais.
(J.B.)






Sonhe com o que você quiser.
Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldadespara fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
(Clarice Lispector)

domingo, 23 de agosto de 2009

La musique.




É só meu coração batendo..
a música dos sentidos...
entrelaçados,
minha boca na tua,
em uma dança misteriosamente aprazível.
Onde não se sabe onde é o começo e o fim de cada um.
meus olhos nos teus...
duas almas,
dois corpos.
de repente,
me transponho no espaço,
e a música dos sentidos me parece mais e mais alta....
Não mais duas, mas uma alma.
Não mais dois, mas um só corpo.
Embebedado de afeto e instinto,
mais e mais alto...
Agora eu sou você e você sou eu.

(Jéssica Bittencourt)

sábado, 1 de agosto de 2009

3:30am


Esse copo na mão não passa de incerteza,
Essa vontade de engolir o mundo não passa de aflição,
Esse sorriso exacerbado não passa de medo,
e ela vai...
só riso, só riso...
Pensara então que nunca havia chorado tanto,
mas já havia,
a diferença é que as lágrimas nunca foram tão doloridas,
não sabe o que vai encontrar pela frente,
não sabe que rumo tomar
e se soubesse?O que faria?
Essa falta de limites não passa de dor,
Esse cigarro entre os dedos não passa de insegurança,
O pé no acelerador não passa de solidão,
e ela vai...
acelera a dor, acelera a dor....
Pensara que nunca havia procurado tanto por respostas,
mas já havia,
a diferença é que as perguntas nunca significaram tanto,
não sabe por onde andar,
não sabe onde pisar,
e se soubesse? O que faria?

(Jéssica Bittencourt)


E como já dizia Alice, esta que não vive em um país das Maravilhas:"A vida não é fácil, mas é uma só, e o único jeito que a gente tem é enfiar o pé no acelerador e sair vivendo."



Janaina acorda todo dia às quatro e meia
E já na hora de ir pra cama, Janaina pensa
Que o dia não passou
Que nada aconteceu

Janaina é passageira
Passa as horas do seu dia em trens lotados
Filas de supermercados, bancos e repartições
Que repartem sua vida


Mas ela diz
Que apesar de tudo ela tem sonhos
Mas ela diz
Que um dia a gente há de ser feliz
Ela diz
Que apesar de tudo ela tem sonhos
Ela diz
Que um dia a gente há de ser feliz
Se Deus quiser.....


Janaina é beleza de gestos, abraços,
Mãos, dedos, anéis e labios
Dentes e sorriso solto
Que escapam do seu rosto


Janaina é só lembrança de amores guardados
Hoje é apenas mais uma pessoa
Que tem medo do futuro- que aconteceu ? -
Se alimenta do passado


Mas ela diz
Que apesar de tudo ela tem sonhos
Mas ela diz
Que um dia a gente há de ser feliz
Diz
Que apesar de tudo ela tem sonhos
Ela diz
Que um dia a gente há de ser feliz
Se Deus quiser.....

Já não imagina
Quantos anos tem
Já na iminência
De outro aniversário
Janaina acorda todo dia às quatro e meia
Já na hora de ir pra cama, Janaina pensa
Que o dia não passou
Que nada aconteceu

(Biquine Cavadão - Janaína)


Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

(Lenine - Paciência)